domingo, 23 de abril de 2017

O Justo Viverá da Fé


Presidente Dieter F. Uchtdorf
Segundo Conselheiro na Primeira Presidência

O Rabino e o Fabricante de Sabão
Há um antigo conto judaico sobre um fabricante de sabão que não acreditava em Deus. Certo dia, quando estava caminhando com um rabino, disse: “Há algo que não consigo entender. Temos religião há milhares de anos. Mas vemos maldade, corrupção, desonestidade, injustiça, dor, fome e violência em toda parte. Parece que a religião não melhorou o mundo em nada. Então lhe pergunto: Que utilidade tem ela?”

O rabino não respondeu de imediato, mas continuou a caminhar com o fabricante de sabão. Por fim, chegaram a um parque onde algumas crianças cobertas de sujeira estavam brincando na terra.

“Há algo que não entendo”, disse o rabino. “Olhe aquelas crianças. Temos sabão há milhares de anos, mas veja como aquelas crianças estão imundas. Que utilidade tem o sabão?”

O fabricante de sabão replicou: “Mas rabino, não é justo culpar o sabão por aquelas crianças sujas. O sabão tem que ser usado para cumprir seu propósito”.

O rabino sorriu e disse: “Exatamente”.

Como Viveremos?

O Apóstolo Paulo, citando um profeta do Velho Testamento, resumiu o que significa ser um fiel quando escreveu: “O justo viverá da fé” (Romanos 1:17).

Talvez nessa simples declaração entendamos a diferença entre uma religião que é frágil e ineficaz e outra que tem o poder de transformar vidas.

Mas, para compreender o que significa viver da fé, precisamos entender o que é fé.

Fé é mais do que crença. É a completa confiança em Deus acompanhada de ação.

É mais do que desejar algo.

É mais do que meramente nos acomodar, fazer que sim com a cabeça e dizer que concordamos. Quando dizemos “o justo viverá da fé”, queremos dizer que somos guiados e dirigidos por nossa fé. Agimos de modo coerente com nossa fé — não no sentido de uma obediência irrefletida, mas com confiança em nosso Deus e sincero amor por Ele e pela inestimável sabedoria que Ele revelou a Seus filhos.

A fé precisa ser acompanhada de ação, caso contrário é morta (ver Tiago 2:17). Não é fé em absoluto. Não tem o poder de mudar um único indivíduo, muito menos o mundo.

Os homens e as mulheres de fé confiam em seu misericordioso Pai Celestial — mesmo nos momentos de incerteza, mesmo nos momentos de dúvida e adversidade quando talvez não vejam perfeitamente nem entendam com clareza.

Os homens e as mulheres de fé trilham sinceramente o caminho do discipulado e se esforçam para seguir o exemplo de seu amado Salvador Jesus Cristo. A fé nos motiva e, de fato, nos inspira a voltar o coração para o céu e a auxiliar, elevar e abençoar ativamente nosso próximo.

A religião sem ação é como o sabão que permanece na embalagem. Pode ter um potencial maravilhoso, mas na realidade tem pouco poder para fazer qualquer diferença até cumprir o propósito para o qual foi criado. O evangelho restaurado de Jesus Cristo é um evangelho de ação. A Igreja de Jesus Cristo ensina a religião verdadeira como uma mensagem de esperança, fé e caridade, que inclui o auxílio prestado a nossos semelhantes de modo espiritual e temporal.

Há alguns meses, minha esposa Harriet e eu estávamos numa viagem de família com alguns de nossos filhos na região do Mediterrâneo. Visitamos alguns acampamentos de refugiados e conhecemos famílias provenientes de países arrasados pela guerra. Aquelas pessoas não eram de nossa religião, mas eram nossos irmãos e precisavam urgentemente de ajuda. Sentimos o coração profundamente tocado ao presenciarmos em primeira mão o modo como a fé ativa dos membros da Igreja proporciona auxílio, alívio e esperança a nossos semelhantes necessitados, sem distinção de religião, nacionalidade ou grau de instrução.

A fé acompanhada de ação contínua e constante enche o coração de bondade, torna a mente repleta de sabedoria e entendimento, e a alma, de paz e amor.

Nossa fé pode abençoar e influenciar positivamente as pessoas a nosso redor e a nós também.

Nossa fé pode encher o mundo de bondade e paz.

Nossa fé pode transformar o ódio em amor, e os inimigos, em amigos.

O justo, então, vive da ação na fé, vive da confiança em Deus e do trilhar Seu caminho.

E esse tipo de fé pode transformar pessoas, famílias, nações e o mundo.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Armados com Retidão

Presidente Henry B. Eyring (A Liahona, março de 2017).
O profeta de Deus na Terra, o Presidente Thomas S. Monson, declarou: “Estamos hoje organizados contra o maior exército de pecados, vícios e males já reunido diante de nossos olhos”.1

Você ficaria surpreso ao saber que o Presidente Monson proferiu essas palavras há 50 anos? Se estávamos batalhando contra um exército de iniquidades sem precedentes naquela época, quão maior é o mal que nos ameaça hoje em dia? Por um bom motivo, o Senhor proclamou em nossa dispensação: “Eis que o inimigo está reunido” (D&C 38:12).

A guerra na qual “somos os soldados”2 principiou antes de nascermos na Terra. Começou antes mesmo de a Terra ter sido criada. Teve início há muitos milênios, na esfera pré-mortal, onde Satanás se rebelou e “[procurou] destruir o arbítrio do homem” (Moisés 4:3).

Satanás perdeu aquela batalha e “foi lançado na terra” (Apocalipse 12:9), onde continua sua guerra hoje em dia. Aqui na Terra, “ele faz guerra contra os santos de Deus e cerca-os” (D&C 76:29) com mentiras, falsidades e tentações.

Guerreia contra os profetas e apóstolos. Contra a lei da castidade e a santidade do casamento. Contra a família e o templo. Guerreia contra o que é bom, santo e sagrado.

Como combater um inimigo assim? Como lutar contra o mal que parece engolir nosso mundo? Qual é nossa armadura? Quem são nossos aliados?

O Poder do Cordeiro

O Profeta Joseph Smith ensinou que Satanás só tem poder sobre nós na medida em que o permitimos.3

Vendo nossos dias, Néfi “[viu] o poder do Cordeiro de Deus que descia sobre os santos da igreja do Cordeiro e sobre o povo do convênio do Senhor, que estava disperso sobre toda a face da Terra; e estavam armados com retidão e com o poder de Deus, em grande glória” (1 Néfi 14:14; grifo do autor).

Como nos armamos com retidão e poder? Santificamos o Dia do Senhor e honramos o sacerdócio. Fazemos e cumprimos convênios, trabalhamos em nossa história da família e frequentamos o templo. Esforçamo-nos continuamente para arrepender-nos e suplicamos ao Senhor que “[aplique] o sangue expiatório de Cristo, para que recebamos o perdão de nossos pecados” (Mosias 4:2). Oramos, servimos, testificamos e exercemos fé em Jesus Cristo.

Também nos armamos com retidão e poder quando “[entesouramos] sempre em [nossa] mente as palavras de vida” (D&C 84:85).

Fazemos isso imergindo-nos nas santas escrituras e nas palavras dos servos escolhidos do Senhor, que darão a conhecer Sua vontade, mente e voz (ver D&C 68:4) na conferência geral do mês que vem.

Em nossa batalha contra o mal, devemos sempre nos lembrar de que contamos com ajuda de ambos os lados do véu. Nossos aliados incluem Deus, o Pai Eterno, o Senhor Jesus Cristo e o Espírito Santo.

Também incluem os invisíveis exércitos do céu. “Não temas”, disse Eliseu a um jovem temeroso quando se viram diante de um exército maligno, “porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles” (ver 2 Reis 6:15–16).

Não precisamos temer. Deus ama Seus santos. Ele nunca nos abandonará.

Sei que Deus, em resposta à oração, atendeu às minhas súplicas para que me livrasse do mal. Testifico que, com a ajuda de Deus, o Pai, do Salvador do mundo e do Espírito Santo, podemos ter a certeza de que receberemos um poder mais do que suficiente para resistir a quaisquer forças malignas que venhamos a enfrentar.

Que sempre estejamos armados com retidão a fim de termos confiança na vitória final.


Notas
  1. Thomas S. Monson, “Correlation Brings Blessings”, Relief Society Magazine, abril de 1967, p. 247.
  2. “Somos os Soldados”, Hinos, nº 160.
  3. Ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 223.

Três Maneiras Divertidas de Começar a História da Família

Quer fazer parte de algo que é maior que você mesmo? Aqui estão três maneiras divertidas de começar a história da família e três recursos que você pode usar para fazê-la.

1. Conhecer as histórias da família
A história da família é mais do que somente nomes e datas — há também as histórias sobre sua família. Conheça as histórias de seus familiares entrevistando os parentes vivos, como pais, avós, tias e tios. Quanto mais souber a respeito de sua família, mais você vai saber sobre si mesmo.

• Encontre dicas úteis para coletar histórias da família no site LDS.org.

2. Anote as histórias da família
Ao conversar com familiares, anote suas histórias. Você pode usar o FamilySearch.org ou o aplicativo Recordações do FamilySearch para carregar fotos, arquivos em áudio, histórias escritas e muito mais.

• Baixe o aplicativo Recordações.

3. Encontre nomes de familiares para levar ao templo
Levar nomes de familiares ao templo é uma excelente maneira de tornar a adoração no templo ainda mais significativa. Você pode usar a visualização de descendência no FamilySearch.org para encontrar antepassados que precisam receber ordenanças do templo.

• Experimente usar a visualização de descendência no FamilySearch.org.

Faça a meta de escolher uma dessas maneiras para começar o trabalho de história da família e sentir a alegria de voltar “o coração dos pais aos filhos” (ver Malaquias 4:5–6).

Não consegue avançar na história da família? Visite o site FamilySearch.org para encontrar mais ideias, dicas e recursos.

Saiba mais

Descubra o que aconteceu a três jovens que colocaram em prática essas ideias.

Russell M. Nelson
“Quando nosso coração se volta para nossos antepassados, algo muda dentro de nós. Sentimos que fazemos parte de algo que é maior que nós mesmos”.

Presidente Russell M. Nelson, do Quórum dos Doze Apóstolos, “Um Elo de Amor Que Une Gerações”, A Liahona, maio de 2010, p. 92.

segunda-feira, 6 de março de 2017

O Poder Capacitador de Jesus Cristo e de Sua Expiação

“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Filipenses 4:13). “Embora todos tenhamos fraquezas, podemos superá-las”, afirma o Presidente Dieter F. Uchtdorf, Segundo Conselheiro na Primeira Presidência. “É, de fato, pela graça de Deus que, se nos humilharmos e tivermos fé, as coisas fracas se tornarão fortes.”

Nosso Salvador declara em Doutrina e Convênios: “Irei adiante de vós. Estarei à vossa direita e à vossa esquerda e meu Espírito estará em vosso coração e meus anjos ao vosso redor para vos suster” (D&C 84:88).

“Néfi é um exemplo de alguém que conhecia e compreendia o poder capacitador do Salvador e confiava nesse poder”, diz o Élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos.
“Os irmãos de Néfi o amarraram com cordas e planejaram sua destruição. Prestem atenção à oração de Néfi: ‘Ó Senhor, de acordo com minha fé em ti, livra-me das mãos de meus irmãos; sim, dá-me forças para romper estas cordas com que estou amarrado’ (1 Néfi 7:17; grifo do autor).

(…) Néfi não orou para que sua situação mudasse. Em vez disso, orou para ter forças para mudar suas circunstâncias. E creio que ele orou dessa maneira precisamente porque conhecia, compreendia e vivenciara o poder capacitador da Expiação.

Não creio que as cordas com que Néfi foi amarrado simplesmente caíram magicamente de suas mãos e seus punhos. Em vez disso, suspeito que ele foi abençoado com persistência e força pessoal superior à sua capacidade natural, para que ele então ‘com a força do Senhor’ (Mosias 9:17) trabalhasse, torcesse e forçasse as cordas, até por fim literalmente conseguir rompê-las.”